Necessidade dos filhos em cada fase da vida



O entendimento central para iniciarmos qualquer conversa sobre a criação de filhos está no fato de que os filhos são criados para a vida e não para os pais, de modo que, quanto mais saudável o individuo, mais autônomo ele se torna ano após ano do seu crescimento físico e intelectual e a função dos pais é justamente munir o individuo de suporte e recursos para que este processo de ganho de autonomia aconteça de forma funcional.

O caminho natural do filho é caminhar para a vida com autonomia, e ele faz isso se afastando do ninho.

A necessidade essencial dos filhos


O ambiente social afeta o desenvolvimento das crianças e neste sentido é importante observarmos a predominância comportamental no ambiente familiar. De modo geral, as famílias tendem a navegar por dois extremos, ou se adotam um modelo de comunicação agressiva, controladora e repressora; ou se tornam negligentes e permissivas.

No primeiro caso, a criança tenderá a se achar indigna de afeto, pois sendo tão repreendida enxergasse como uma pessoa inferior ou insuficiente, podendo apresentar baixa autoestima.

No segundo caso, a criança se sentirá insegura pela falta de limites e orientação, poderá ter dificuldade de tomar decisões, saber como agir ou até mesmo ter dificuldade em sua disciplina.

O fato é que acabamos por replicar em nossa relação familiar o modelo que experimentamos na casa de nossos pais, seja por imitação ou por fuga, de modo que, por vezes repetimos os mesmos comportamentos disfuncionais que experimentamos, ou então, caminhamos para um extremo oposto, buscando fugir do modelo experimentado... seja qual for o caso, mantemos o padrão familiar disfuncional.

O caminho do meio, portanto, tende a ser o mais saudável e também o mais desafiador, se não estivermos conscientes de nossa própria dor e contexto social na infância, correremos o risco de sujeitar nossos filhos a repetições ou hiper compensações do histórico de nossa família de origem.

Logo, torna-se evidente que a primeira necessidade essencial de um filho é que seus pais estejam emocionalmente saudáveis e tenham resolvido as questões da infância de forma positiva, ampliando assim a sua capacidade de evitar repetições ou hiper compensações.


Etapas do desenvolvimento


Para fins didáticos, convém dividirmos as etapas do desenvolvimento humano em três fases macro, sendo:

  • INFÂNCIA - 0 a 11 anos;

  • ADOLESCÊNCIA - 0 a 20 anos;

  • FASE ADULTA - A partir de 21 anos.

Estas etapas podem ser desmembradas em cinco fases da vida conforme ilustração e descrição a seguir:

  • Ninho - 0 a 3 anos | Primeira Infância: Nesta etapa consideramos o indivíduo é um bebê e tem dependência total dos pais para as atividades básicas de sobrevivência pois está na fase inicial do seu desenvolvimento e ainda apresenta algumas limitações fisiológicas. Nesta fase o bebê se alimentará inicialmente por meio de amamentação, migrando gradativamente para uma alimentação sólida por volta dos 6 a 8 meses de vida, quando aprende a se alimentar sozinha, desde que seja dada a ela o devido estimulo e autonomia. É nesta fase da vida, que o bebê começa a engatinhar (marcha) e então aprende a se comunicar, dizendo suas primeiras palavras aprimorando o seu processo de fala. O desejo do bebê nesta fase tende a ser o de exploração que consiste em observação, toque e experimentação do ambiente e seus objetos, neste processo de descoberta do mundo e ganho inicial de autonomia. Um erro muito comum dos pais nesta fase é infantilizar excessivamente o bebê, falando com voz fininha, ou impedindo iniciativas de alimentar-se sozinha por exemplo. Também é importante compreender que está é uma fase inicial do desenvolvimento em que o bebê passa por um processo de autodescoberta, por este motivo, sua exploração do meio será mais individual do que coletiva, pois, ainda não desenvolveu seus mecanismos de interação social.

  • Esfera dos pais 4 a 6 anos | Infância: Está é a fase em que a criança por iniciativa própria, ampliará seus relacionamentos buscando interagir com outras pessoas e com outras crianças. O desejo de exploração permanecerá, embora dentro do ambiente familiar em que os pais continuam a ser a principal referência. Nesta fase, também ocorre um aumento significativo da autonomia da criança e ela tende a construir os seus primeiros relacionamentos demonstrando motivação em dormir na casa de parentes ou de amigos por exemplo. Um erro comum nesta fase em que a exploração é um impulso natural da criança, é de que os pais limitarem o desenvolvimento dos filhos por excesso de preocupação de que a criança se machuque ou se suje, limitando assim este processo importante do seu desenvolvimento. É importante entender que sentir cheiros, texturas, movimentar-se e experimentar coisas, lugares e situações é fundamental para o desenvolvimento da criança que esta conhecendo o mundo e seu próprio corpo e sentidos. Deixar a criança brincar, sujar-se, cair e levantar é fundamental para um crescimento saudável, o papel dos pais é observar atentamente garantindo a segurança da criança, sem contudo limitar sua iniciativa e busca de independência.

  • Esfera social 7 a 11 anos | Pré-Adolescência: Esta é a fase em que a criança experimenta uma ampliação ainda maior do seus relacionamentos com vínculos para além dos seus pais, buscando novas referências. É quando começa a exploração para além da família. A criança já tem grande autonomia, mas experimenta uma letargia, em virtude de um processo de desenvolvimento do cérebro que acontece na faixa dos 9 aos 11 anos, fase que costumamos chamar de pré-adolescência, podendo aparentar uma certa desconexão ou ausência, muito típica desta fase. Esta é a fase do rompimento da criança com os país, quando ela desenvolve então outras conexões se preparando para a próxima etapa de busca de identidade.

  • Busca pela identidade | Adolescência - 12 a 20 anos: A ampliação dos relacionamentos é potencializada nesta fase, quando os adolescentes aumentam suas conexões sociais e testam os limites dos pais. Este é um processo completamente natural, eles irão questionar, confrontar e iniciar a busca por sua própria visão de mundo e construção de regras. Esta é uma fase de preparação para a vida adulta e portanto de muitos conflitos, quando o individuo esta buscando referências, explorando de forma mais intensa o mundo, conhecendo as opções e diversidade do mundo, comparando as suas bases sociais familiares e construindo a partir disto sua própria visão de mundo. Esta é uma fase importante para estimular o adolescente a assumir responsabilidades, tendo tarefas domésticas, administrando seu dinheiro, resolvendo suas questões escolares e tendo suas primeiras atividades profissionais por exemplo. Um erro comum dos pais nesta fase, tende a ser encarar os questionamentos e confrontos como rebeldia, quando na verdade, o entendimento da necessidade do adolescente de conquistar seu espaço e autonomia, de construir seu próprio grupo social e fazer escolhas, tornará esta fase muito mais leve tanto para os pais como para os filhos. Também é nesta fase que o adolescente fará suas descobertas sexuais, inicialmente sozinho enquanto individuo (conhecimento do próprio corpo) e posteriormente enquanto ser social, como casal.

  • Independência total | Vida Adulta - A partir dos 20 anos: Nesta fase o indivíduo alcançou a vida adulta e para que esteja saudável, precisa viver sua independência total, tanto financeira quanto emocionalmente. Este é um momento da vida em que será saudável que o adulto saia do ninho, deixe a casa dos pais e passe a morar sozinho, sendo responsável pelo seu sustento e construindo o seu próprio estilo de vida. Quanto menor for a intervenção dos pais a partir desta fase da vida, maior será a saúde emocional deste adulto e mais naturalmente se dará o processo de construção de uma nova família favorecendo o avanço pelo fluxo natural da vida.

Ao longo do desenvolvimento do individuo, para oferecermos como pais o suporte adequado, é importante aprendermos a diferençar o que a criança/adolescente está motivado a fazer e o que está pronto para fazer, uma vez que o despertar do interesse por avançar para a próxima etapa do seu processo de independência, não necessariamente significará que a criança de fato esta apta para isto. Uma criança pode por exemplo estar motivada a cozinhar e mexer com o fogo, mas, não estar apta para exercer esta atividade por falta de coordenação motora ou falta de senso de perigo em virtude de sua idade. Daí, a importância desta compreensão por parte do adulto, impondo limites, quando identificar motivações desalinhas da aptidão e de igual modo, oferecendo apoio quando houver o preparo necessário.

Em contrapartida, também é importante compreender que desde a infância, temos diante de nós um individuo com vontades e capacidade de escolha que precisam ser cada vez mais respeitadas a medida em que a criança cresce e ganha autonomia. Quando pedimos um abraço a uma criança, por exemplo, ou um beijo e ela diz não, precisamos respeitar a sua vontade, pois desta forma estamos validando o seu direito de escolha sobre sua vontade e sobre o seu corpo.

Tendemos a considerar que crianças boazinhas, são boas crianças, aquelas que se comportam demais, que são extremamente obedientes, solicitas e submissas, quando na verdade, podemos estar castrando nossos filhos em suas iniciativas e ambições diante da vida por impor em demasia a nossa vontade e autoridade.

Deixar o filho escolher entre as opções de roupa qual irá vestir por exemplo, é uma forma de estimular a autonomia da criança.

Claro que, tendo sempre como parâmetro a capacidade de discernimento do individuo em cada fase, de modo que permitir que a criança troque o alimento por doce por exemplo, não será um respeito a sua liberdade de escolha, mas antes, uma irresponsabilidade do adulto diante da incapacidade de julgamento do menor.

Em resumo, bom senso e equilíbrio são sempre boas pedidas nas relações humanas.

Em amor,

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